O Império dos Vereadores sob suspeita – um artigo que vale a pena ler

Artigo do meu amigo Ari Fernandes, presidente do PT de Campinas, vale a leitura.

 

O Império dos Vereadores sob suspeita

Ari Fernandes*

 

O atual governante-tampão de Campinas teve 3.440 votos na última eleição, é conhecido da mídia por não comparecer a sessões da Câmara e até recentemente o que mais chamou a atenção em sua gestão como presidente da Casa de Leis foram o corte dos guardinhas supostamente para economizar dinheiro e a aprovação de um aumento de 126% nos salários dos vereadores. Digo até recentemente porque agora há algo que chama bem mais atenção: as suspeitas de fraudes na Câmara, investigadas pelo Gaeco.

 

Divulgadas amplamente pela mídia de Campinas, elas são várias. Vão da compra de um painel fantasma para a Casa – com direito a treinamento caríssimo para funcionários que deveriam operar algo que não existe – a uma sociedade entre o coordenador de compras da Câmara e o contador da casa com três fornecedores do legislativo. Fornecedores estes que têm sobrenomes parecidos. Empresas estas que parecem ser de fachada, mas que ainda assim receberam R$ 7,6 milhões da Câmara.

 

O alcaide tampão Serafim diz que as denúncias surgiram depois que ele saiu da presidência da Casa, que não tinha conhecimento delas, e por isso se esquiva da responsabilidade. O curioso é que ele, Serafim, nomeou como diretor de operações da Emdec o senhor Valdir Aparecido Mancini, que é justamente um dos sócios dos funcionários da Câmara nas tais empresas suspeitas. Questionado pela mídia, chegou a dizer que o sujeito foi indicação de outro vereador e que só atendeu ao pedido e nunca viu Mancini em sua frente.

 

Não foi o único pedido dos vereadores que o apóiam que Serafim atendeu. Desde que assumiu após o golpe contra o então prefeito Demétrio Vilagra, ele realizou nomeações nepóticas ferindo decreto municipal de autoria do próprio Vilagra que impede esta prática, para não mencionar a ética e a moral. Quando as nomeações são descobertas pela mídia, a prefeitura assume “o engano” e responsabiliza um terceiro, até porque o próprio tampão nada assume.

 

Serafim, que sonha em se eleger em abril e em outubro, não governa sozinho. Longe disso, só chegou onde está graças a muitos amigos vereadores. Quando cassou Vilagra, a Câmara não comprovou a participação do petista em nenhuma irregularidade. Na sequência, dizendo que estava “distribuindo a responsabilidade aos vereadores por meio de cargos na gestão da cidade”, Serafim compensou os serviços prestados para que ele realizasse seu “sonho de ser prefeito” enchendo a prefeitura de indicados por vereadores e até dos próprios: o criador da CP contra Vilagra, Valdir Terrazan, recebeu como mimo a Secretaria de Serviços Públicos.

 

Para garantir votos na eleição indireta e se perpetuar como alcaide de Campinas, Serafim usa e abusa da caneta. AS ARs, por exemplo, estão hoje todas nas mãos dos vereadores amigos dele: qualquer serviço que a população precise deve ser pedido aos vereadores. “Com a convocação de uma nova eleição indireta para prefeito, o que se vê é um escrachado e descarado loteamento de cargos de confiança da prefeitura, que não leva em conta as necessidades operacionais e tampouco interessa à população (…)Algumas nomeações e defecções chocam pela evidente intervenção política do mais baixo nível, alçando ao funcionalismo cabos eleitorais e apaniguados sem qualquer qualificação que não buscar votos para seus padrinhos.” Estas palavras não são minhas e sim do próprio Correio Popular, em editorial publicado em 8/1/2012.

 

Quando cassou Vilagra, a Câmara entendeu que ele tinha conhecimento de irregularidades e nada fez para impedi-las. Além de falso, chega a ser irônico. A maioria dos vereadores de Campinas está lá há sete anos, os demais há quase quatro. Todos têm como função fiscalizar o Executivo e a Câmara fez uma CPI da Sanasa na qual nada identificou de errado. Ou seja, eles, que tem por obrigação fiscalizar, não sabiam de nada, mas insistem que Vilagra – que ocupava um cargo de expectativa – sabia. Mais ainda: Pedro Serafim e boa parte dos vereadores defendem-se das atuais suspeitas de fraude investigadas pelo Gaeco alegando que… não sabiam do que se passava!

 

Fossem pessoas sérias e desinteressadas, na sessão da CP em que ouviram Vilagra os vereadores teriam que obrigatoriamente acreditar no petista ou renunciar de seus cargos admitindo que prevaricaram. Em vez disso, o cassaram e foram muito bem recompensados pela empreitada, com inúmeras nomeações. E agora, mais uma vez eles alegam que não sabiam, e com isso automaticamente esperam tirar a responsabilidade de seus ombros?

 

Se um dia, antes da gestão de Vilagra, Campinas ganhou da mídia o apelido de “República do Manto Grosso”, hoje o apelido deve ser outro: a cidade hoje está sob o jugo do Império dos Vereadores, no qual Executivo e Legislativo são uma coisa só e o interesse maior de todos, prefeito tampão e legisladores-executivos, é a perpetuação no poder. Seja na Prefeitura ou na Câmara, pois para eles não tem diferença alguma, desde que continuem sendo bem recompensados por isso. Campinas está pagando caro pelo sonho de criança de Serafim.

 

* Ari Fernandes é presidente do PT Campinas

Sobre demetriovilagra

Prefeito de Campinas-SP
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